Turismo aumenta na Albufeira de Castelo do Bode por causa da pandemia

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A pandemia do Covid-19 levou, este ano, muitos portugueses a preferirem locais mais isolados e a procura pela Albufeira de Castelo de Bode, no Centro do País, aumentou.

A pandemia da Covid-19 levou este ano muitos portugueses a “fugir” do vírus e a fazer férias em locais mais isolados e aquela barragem foi um dos locais eleitos.

“Este ano temos tido uma procura muito grande que resulta do interesse por destinos menos massificados e estimamos um aumento global da procura na região na ordem dos 30% a 50%, para uma capacidade de alojamento que andará na ordem dos 85% a 90%, embora alguns tenham lotação esgotada”, disse à Lusa o presidente da Associação dos Empresários de Turismo do Castelo de Bode (AETCB).

Para Jorge Rodrigues, a Albufeira de Castelo de Bode continua a ser “um dos locais mais preservados e, ao mesmo tempo, mais surpreendentes” do Centro do país, com “60 quilómetros de plano de água em linha reta e uma albufeira plena de cantos e recantos para desfrutar e descobrir”. Criada em 2017, a AEACB representa 28 empresas do setor turístico e pretende “manter e aumentar a qualidade da oferta num ambiente de pura natureza”.

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“Potenciar sinergias para um trabalho em rede para criar um produto global muito mais atrativo” ao nível das várias ofertas existentes no território, desde a animação às atividades náuticas, aos restaurantes e alojamentos, praias fluviais, guias turísticos e outros, é outro dos objetivos, precisou o responsável.

“Este é um plano de água muito apetecível e, com o enquadramento único de Castelo de Bode, é possível manter a qualidade ambiental e, ao mesmo tempo, criar riqueza na região e potenciar o território através do que tem de mais genuíno, como as aldeias tradicionais, a gastronomia e os vinhos, a história o património, enfim, a qualidade de vida que aqui se respira”, destacou Jorge Rodrigues.

Um dos próximos passos a dar pelas empresas que desenvolvem atividades turísticas na albufeira da barragem “passa pela certificação do Castelo de Bode como destino sustentável“, um selo da Biosphere Portugal que certifica a qualidade da gestão das unidades ao nível ambiental, cultural e económico.

 

A fazer férias há 10 anos na Albufeira de Castelo de Bode, Gonçalo Veiga acredita que este ano “faz ainda mais sentido” regressar àquele local.

O lisboeta alugou uma casa de alojamento rural encravada numa encosta com vista sobre a albufeira, com acesso direto ao cais privado e direito à utilização das embarcações de recreio, para “10 dias de férias neste pedaço português de céu com a família e mais dois casais amigos” e filhos.

“Eu venho para o Wake Villa [espaço de alojamento] há 10 anos com a família e estes amigos. Os miúdos usufruem do lago, passeamos de barco, fazemos mergulho, temos atividades como o ski, wakeboard e wakesurf, temos os barcos e os equipamentos à disposição, estamos longe de tudo e de todos e tudo isto apenas a uma hora de Lisboa”, destacou Gonçalo Veiga, tendo dado conta que, “este ano, ainda fazia mais sentido”, atendendo à pandemia.

“Estar aqui é um paraíso, longe de toda a gente e com este mar infinito para usufruir, acordar e tomar o pequeno almoço num jardim virado para a albufeira, assistir ao pôr do sol, jantar e ver o céu estrelado. Isto é impagável, é um sossego incrível”, afirmou.

Nuno Eça, ex-gestor de eventos em Lisboa, investiu naquele espaço familiar de alojamento rural há cerca de 10 anos, para “fugir à azáfama diária das grandes cidades”, para onde diz não querer voltar.

“Aqui estou feliz, em contacto com a natureza, com as pessoas, tenho turistas ao longo de todo o ano e que acabam por se tornar amigos, e este é o meu projeto de vida onde me sinto realizado profissionalmente”, conta o empresário, dando conta de reservas para todo o período do verão por parte de portugueses e com o espaço a ser mais procurado no outono e inverno por turistas de outros países.

A oferta turística na envolvente da albufeira, apesar de limitada, é diversificada, com espaços de alojamento destinados a um público de classe média e alta, mas também com um parque de campismo em Castelo do Bode, em Martinchel, no concelho de Abrantes, além dos hotéis e alojamentos nas cidades e vilas circundantes, como Abrantes, Tomar, Ferreira do Zêzere, Sardoal, Sertã, Vila de Rei, e outras localidades.

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