A carta inédita ao Primeiro-Ministro da nora do ex-polícia morto a tiro

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Não me faça sofrer no dia em que o meu filho quiser ser policia”

Apesar de oriundo do Alentejo, José Eduardo Paixão, de 65 anos, o ex-polícia que faleceu, no passado dia 31 de dezembro, vítima de um tiro na cabeça, quando tentava evitar um assalto, na Amadora, era muito conhecido na nossa região e muito em especial em Ferreira do Zêzere, terra à qual estava ligado através da agora viúva, Alzira Silva.

Não é de estranhar por isso que, no dia de ano novo, muitos fossem os ferreirenses a comentar, sobretudo nas redes sociais, este crime hediondo, até porque parte da família reside fora do país e a morte do “Chaparrito” alcunha deste homem que serviu as forças policiais durante três décadas, não deixou ninguém indiferente.

Também ao funeral, no qual compareceram largas dezenas de familiares, amigos, colegas e muitos populares estiveram várias pessoas oriundas da nossa região que quiseram prestar uma última homenagem a este herói contemporâneo.

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Entretanto. a nora do falecido, Patrícia Silva, decidiu publicar no seu Facebook, uma emocionante missiva a qual, em poucas horas, ultrapassou as 3 mil partilhas a qual, em jeito de homenagem aqui partilhamos endereçando a todos os familiares deste nosso “conterrâneo por casamento” as nossas mais sentidas condolências.

 

Senhor governante (espero que lhe chegue)
Sou a nora do Eduardo Paixão o (ex-polícia baleado), Sabe os meus filhos ainda vêm filmes onde os maus nunca vencem, têm a inocência particular de crianças para imaginar que os polícias protegem.
Um dia o meu filho disse que queria ser Polícia, sabe eu respondi lhe para ele pensar melhor, e que tinha tempo para pensar… Mas o que eu queria-lhe dizer é que já não é digno, que ser policia mais vale ser bandido, que o sacrifício de não ver os filhos crescer no dia-a-dia, faltar às festas da escola, não dormir em casa, não passar o natal com a família a recompensa está numa Bala cravada no corpo. Tão verdade não é!
Mas não, não devia ser! O meu sogro, um Homem humilde, que cumpriu sempre os seus deveres e obrigações. O Senhor Conhece-o? Pois mas devia, certamente iria entender a dor desta perda. Já lhe morreu alguém tão barbaramente como a nós???? Pois eu acredito que não. O Eduardo (meu sogro) acreditava num futuro melhor! Será que o Senhor terá a coragem de fazer isso acontecer. Não o culpo pelo sucedido, mas existem culpados. Será que nos seus papéis, nos milhões que vocês gerem, podem dar a dignidade à Policia, merecem. Sabe o Senhor está protegido por alguém que não está com a família, e quando se reformar já perdeu muito dos seus e o pouco que lhe resta deverá ser em paz e tranquilidade. O senhor já pensou em vez de canalizar uns quantos milhões para os bancos, estradas, fazê-lo para a Nossa/Sua Segurança.
Existem bons e maus profissionais, é um fato. Mas também existem maus governantes, certo? Não me lembro de um mau governante ter a vida estragada, mas sei que muitos polícias por terem cometido erros e não sabemos o porquê foram condenados na praça pública nas redes sociais. O meu sogro não é digno de uma enchente na internet, os Media dariam bem mais impacto se fosse ele a cometer um crime. Mas isto tudo não é nada para nós. Vamos homenagear o Eduardo à nossa maneira, porque ele acreditava num futuro melhor.
Sabe senhor primeiro-ministro, estou desolada, não tenho abraços nem palavras para consolar o meu marido e a minha Sogra. Peço-lhe que devolva a dignidade às autoridades deste País faça os sentir orgulho, faça os defender o Nosso/Seu país, tenha essa coragem, tenha esse orgulho.
Não me faça sofrer no dia em que o meu filho quiser ser policia.

Patrícia Silva

 

 

 

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